Então ok e bola pra frente

Photo by Lê Tân on Unsplash

Um salve pra todo mundo que some de vez em quando. Que cansa, que pesa, que não faz ideia do que tá acontecendo, que teme e que já não aguenta mais tudo isso. Um salve pra quem chora no banho e tem trilha sonora praquilo que nem sabe dar um nome. Um salve pra quem leva a culpa de um troço que nem sabia que tinha acontecido. Um salve pra quem tenta, mesmo mais caindo do que conseguindo ficar de pé. Um salve pro reflexo no espelho de quem andou um tempo sem paciência pra cuidados básicos com a pele.
Vira e mexe isso vem. Ninguém sabe de onde, como ou por quê. Inventamos motivos, sintomas e curas que nunca curam de verdade. Vestimos sorrisos, paranoias e embarcamos em conversas que nem acreditamos de verdade, só pra fazer de conta que não tem nada acontecendo. Mas tem alguma coisa acontecendo, a gente só não sabe dizer o que é. E aí a gente vai pra mais uma rodada de faz de conta, de quem é a bola da vez, a fofoca da vez, a moda da vez, o cacete a quatro da vez… E tentando fazer parte de tudo ou acompanhar tudo, a gente se perde, se embola, se atrasa e tropeça na gente mesmo.
O mais engraçado (que na verdade não é exatamente engraçado) é que tá quase todo mundo no mesmo barco, mas estamos todos tão acostumados a fingir, a varrer pra debaixo do tapete, a se entupir de um monte de coisas pra tapar nossos buracos e ostentar uma certa produtividade (e profundidade) que quando para pra reparar que o mundo inteiro tá errado, se assusta ao saber que todo mundo sabe, mesmo fingindo que não.
Então ok, e bola pra frente, mesmo querendo chorar em posição fetal até desidratar antes de dormir. E um salve pra você que não desiste de nada mesmo com as possibilidades se mostrando cada vez mais assustadoras dia após dia. ♡
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Coisas que a gente nunca vai saber (ainda bem)


Você nem sabe as coisas boas que eu tinha planejado pra gente fazer. As piadas das quais a gente ia dar risada. As músicas que iam embalar nossas tardes juntos. A infinidade de melodias e letras que a gente ia trocar. O tanto que eu ia te xingar por ser um trouxa, que eu não ia conseguir ficar longe, mas um trouxa. Você não sabe e nem se deu o trabalho de me deixar dizer. Ficou tudo meio perdido, meio borrado numa tarde fria, num lugar distante e desconhecido. E toda vez que eu dobro uma esquina distraída ainda me lembro de lá.
Apesar de não fazer mais sentido, nem falta, nem nada, as possibilidades vez ou outra acenam. Não como se fosse algo pelo qual eu ainda espero, mas uma curiosidade mórbida de tentar imaginar como teria sido. Se você não tivesse deixado cair na caixa postal. Se você não tivesse me evitado. Se eu tivesse me respeitado, te ignorado e entendido desde então que era o jogo do quem é mais insensível. Mas não.
E aí eu pude ver todas as suas nuances, as sombras, as partes feias e coisas com as quais jamais poderia conviver. Incomodou pra caramba por um tempo e depois me deu raiva, ranço, desprezo. Destruí as pontes pra não ter a menor chance de voltar atrás. Não voltei e nem quero. Mas quando me dá tédio eu olho naquela direção. Só pra inventar uma história. Só pra me dar o que pensar e distrair de olhar pro teto. Só pra me ver de um jeito que eu nem reconheço mais (ainda bem). Só pra ter certeza de que eu não desperdicei as coisas boas que eu tinha planejado com alguém que não merecia ter ficado. E me fez o favor de não ficar.

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O valor de se perdoar


Nem sempre a gente vai conseguir fazer o que imagina, o que queria ou como queria. Às vezes os planos vão por água abaixo, a gente acaba não fazendo o que esperava ou acaba entregando menos do que queria. Frustrar as próprias expectativas também é ruim à beça e eu acho que isso influencia diretamente na imagem que fazemos de nós mesmos. Quantas vezes nos consideramos menos capazes por termos errado ou por não estarmos no melhor dia para entregar todo nosso potencial a uma atividade?
O perdão não serve só para as outras pessoas, mas para nós também. Por quanto tempo vamos ficar nos julgando por erros pelos quais não podemos fazer mais nada a respeito? E até quando a gente vai deitar para dormir e ficar lembrando daquela mancada que cometemos há tempo demais para ser considerado recente? Eu sei que você faz isso. Muita gente faz isso. Mas se a gente parar para pensar é um tempo muito mal gasto. Podendo sonhar acordados antes de dormir, a gente prefere se cobrir de coisas que não podemos mudar.

Esses dias eu estava aqui me cobrando por causa de um trabalho que não consegui desenvolver como queria. Acontece. Dá para aprender com isso, olhar para a experiência como parte de um todo, que um dia vai ficar bonito, mesmo que esteja meio (ou completamente) bagunçado agora. Mas dar o passo seguinte, levantar disposto a tentar, se refazer, arriscar mais uma vez, só acontece quando a gente se perdoa. E também quando aceita que errar faz parte, não é o fim do mundo.

Acredito que o perdão tem muito a ver com entender que os erros fazem tão parte do outro quanto fazem parte de mim. Podem não aflorar do mesmo jeito, mas afloram de outro, de qualquer jeito. Não dá para fugir. Não dá para viver se escondendo no medo de errar e se agarrar a todos os erros passados para justificar o medo de errar no futuro. Perdoar é uma questão de aceitar (que a gente erra, que as pessoas erram e que isso não necessariamente define alguém) ou surtar. Como eu não quero surtar e pretendo continuar progredindo, já sei o que escolher. E você? ♡


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