A despeitada do ensino médio e afins


Talvez eu seja desprendida demais e você seja muito agarrado ao passado. Talvez a gente lide exatamente com o tipo de pessoas que vai dar conta. Ou talvez eu esteja falando muita besteira e não saiba nem por onde começar a pensar direito. Acho bem provável, mas também queria entender as distâncias, os encontros e tudo aquilo que acontece meio porque a gente planejou, meio porque foi tudo acontecendo meio sem querer.
Eu não vejo meus amigos da época da escola faz muito tempo e não tenho exatamente vínculos na faculdade. E aí vejo grupinhos, reencontros e fico me perguntando se eu sou mesmo muito estranha ou se essa nostalgia é exagerada. Ok, talvez eu seja bem estranha mesmo. Mas encaro a vida como uma coisa que segue. E muita gente fica pelo caminho mesmo.
Vejo a galera que eu conhecia ainda mantendo as mesmas amizades e me sinto muito nômade. Tenho dois ou três amigos daquela época e olhe lá. A maioria não faz mais parte da minha vida e eu acharia bem desconfortável tentar encaixá-los mesmo que por um breve momento.
Talvez seja um pouco de despeito da minha parte. Ao mesmo tempo que fui me desprendendo de todo mundo, fui me sentindo bem dispensável e é esquisito você ver algo continuar igual enquanto você não consegue mais fazer parte, às vezes mesmo querendo.
Mas num impulso, resolvi ressuscitar aquele velho grupo em que ninguém mais falava. Não é que eu tenha esperanças de ter uma coisa que nunca tive, mas também não é que eu não tenha. Eu só preciso saber que não é culpa minha e que não sou sempre eu quem está afastando as pessoas.

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O que você chama de amor?


Ela estava ali abrindo o coração, dizendo que o amava desde a adolescência. Mas que não tinha mais forças pra correr atrás e se desgastar em vão pra conseguir que aquele afeto fosse retribuído. Me pareceu uma confissão dolorosa. Daquelas que as pessoas fazem quando não suportam mais o peso do sofrimento que carregam, mas estão mais ou menos acostumadas a ele.

Escuto esse tipo de coisa e sempre fico intrigada. Por que a gente acha que o amor é desse jeito? Por que a gente acredita que se não rolar sofrimento, muita dor, rejeição e frustração a gente não está sentindo direito? E, pior, por que a gente nutre sentimentos por quem tá pouco se lixando pra gente? É um ideal que a gente monta, esperando que o outro corresponda. Mas a verdade é que se ele não gosta, é uma perda de tempo muito grande tentar fazer com que ele note como você é legal e amável. Se ele não sabe disso, então ele visivelmente não merece a sua companhia.
Não, amiga. Não é você que está perdendo a chance inenarrável de tê-lo por perto. Não tem nada de errado com você. Não é o seu cabelo, não é o seu jeito, não é o seu corpo e nem a sua forma de ver a vida. E mesmo que fosse! Não seria por causa dele que você deveria mudar, mas por sua causa. Se transformar numa pessoa que ele hipoteticamente amaria não vai te fazer bem e não é a fórmula mágica pra felicidade.
Sabe o que pode te fazer bem? Entender que nenhum outro amor vai te bastar se ele não partir de você pra você antes de mais nada. Clichê, não é mesmo? Mas aprendi a não subestimar os clichês quando, na prática, percebi que eles fazem muito sentido. Enquanto cê tá aí chorosa, o mundo continua girando. Olha esse tempo perdido com quem não liga! Como eu já disse, não tem nada de errado com você. Exceto acreditar que existe fórmula mágica pra felicidade.
A gente se decepciona, chora e desacredita, até perceber que, embora isso tenha acontecido um número considerável de vezes, isso não precisa ser um padrão. E muito menos normal! Se ele não te enxerga como uma mulher incrível, desencana porque não é ele. E não fica com medo de largar o osso, amiga. Você não precisa dele. Não chame de amor as migalhas às quais você se agarra pra se sentir menos sozinha. Não tem nada de errado em ser só, desde que você suporte a sua própria companhia.
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Do jeito que eu sei sentir

Eu empilho os meus livros. Preparo um lanche rápido e arrumo a bagunça que deixei na cozinha. Eu esqueço os copos fora do lugar. Escrevo alguma coisa sem importância. Crio duas ou mais playlists, assisto cinco episódios da minha série favorita e mesmo assim não me livro de pensar em você.

É bom de um jeito que até assusta. Porque eu fui boba mais vezes do que eu gostaria. Andei em círculos um número de vezes que não consigo me lembrar. Você provavelmente não sabe porque não estava lá. Mas eu sei que estava em algum lugar tendo suas próprias decepções. A vida infelizmente é cheia delas.
E hoje eu estou me protegendo, me distraindo e tentando disfarçar que só penso em você. Estou aqui lembrando dos ângulos, do cheiro e das caretas que eu tanto gosto. Estou aqui fazendo de conta que não quero escrever este texto pra deixar vazar um pouco do que não quero te contar. É que eu sabia, lá no fundo. Mas eu tinha medo. E eu ainda tenho medo de te amar mais do que eu consigo aguentar sem me perder de mim.
Mas eu ainda estou aqui. Com a cara, a coragem e um monte de sentimentos puros (e alguns não tão puros assim) por você. Desculpa, eu só sei sentir assim. ♡

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